Estética Genital Feminina
Estética Genital Masculina

       Platão é o primeiro, entre tantas coisas, a pensar um tipo de beleza globalizada. Ele defende a “beleza em si” ou seja, uma essência ideal, assim como o bem e a virtude. As qualidades que tornam um objeto belo estão no próprio objeto e independem do sujeito que as percebe.

       Aristóteles, diferentemente, pensa o belo como algo inerente ao homem, sendo a beleza atribuída por critérios de simetria, proposição e ordenação.

       A Idade Média, de Agostinho e Tomás de Aquino, introduz na concepção do belo uma ligação direta com Deus. O que é belo, o que é verdade, o que é bom passa a ser santificado, passa a ser divino. O confronto com a ciência que vem à luz ao final da Idade Média, se instala exatamente por ela, a ciência, se distanciar, cada vez mais, inclusive dentro da própria Igreja, da associação dos fenômenos às vontades divinas.

       
       Com o advento da Renascença, a nova arte renascentista trama a arte por uma dimensão maior, não como mera participante mas como criadora. Aristóteles é interpretado ao pé da letra. Haja vista os trabalhos de Da Vinci onde triângulos, quadrados e círculos se encaixam de maneira geometricamente perfeita em suas obras. Assim sendo, regras e padrões fixos são estabelecidos para nortear a produção artística e sua apreciação, mesmo que a serviço da Igreja.

       Hume, no séc. XVIII, vem afirmar o que a minha avó sempre dizia: “Gosto não se discute!”. Ou seja, o que depende do gosto e da sensibilidade pessoal não pode ser discutido de uma maneira racional. Até mesmo a própria racionalidade se curva à formula de Báscara, que propõe dois resultados, um positivo e um negativo, um feio e um bonito. O dualismo cartesiano
nada mais é do que a dúvida do certo e do errado, do belo e do feio.

        A única coisa que sei é que penso, e eu adiciono, e sinto, logo existo! Kant dá o segundo passo para esta beleza globalizada quando diz que, entre a objetividade e a subjetividade, o belo é aquilo que agrada universalmente, ainda que não se possa justifica-lo intelectualmente. O juízo estético, portanto, está no sentimento do sujeito e não no conceito do objeto. E por quê de Kant afirmar ser universal? Porque, teoricamente, todas as pessoas possuem um juízo estético porque possuem a “faculdade de sentir”.

       Hegel, no séc. XIX, introduz a história. A beleza muda de face e de aspectos através dos tempos. Até por que, para Hegel, a verdade é o todo. Não pode haver um conceito contido em si mesmo. Os magros de Modigliani e as matronas florentinas, a “maja desnuda” de Velásquez e as gordinhas de Fernando Botero muito bem se encaixam em qualquer época porque, mais do que nunca, estão inseridas em seu conceito histórico e continuam lindas obras de arte. O objeto é BELO por que realiza o seu destino de atingir a nossa sensibilidade.
Cada objeto SINGULAR estabelece o seu próprio tipo de beleza.