DOIS NOMES PARA O MESMO PROBLEMA

Estima-se que cerca de 10 milhões de brasileiros são acometidos por este problema que não tem sua importância devida graças ao machismo da sociedade ocidental. É mais do que isso. A Disfunção Erétil age no íntimo de cada homem, na sua masculinidade, no instinto do macho que, por uma alteração qualquer da natureza, não consegue mais satisfazer o seu prazer, exercer sua virilidade ou seu desejo de preservação da espécie. O Viagra veio solucionar uma série de disfunções de origem psicológica e vascular, onde a necessidade de produzir a ereção é pequena. Mas o que fazer com pacientes que, mesmo com o Viagra, não atingem a ereção plena ou não querem ficar tomando o medicamento o resto da vida?

O objetivo inicial do diagnóstico é identificar se a disfunção é de origem psicogêncica, orgânica ou mista. Uma conversa criteriosa e calma sobre a situação sexual, psicossocial e médica de cada paciente dá, na maioria das vezes, o caminho a ser seguido. A partir daí, exame físico e exames complementares vão definir o tratamento a ser instituído. Deve ser realizada uma avaliação minuciosa do sistema venoso e arterial da região inguinal, plexo pudendo e das artérias que dão irrigação ao pênis para identificar se existe a necessidade de algum procedimento cirúrgico mais adequado.

Muitas vezes a pouca irrigação do pênis pode ser o sinal inicial de uma doença vascular mais grave como no coração ou no cérebro. Outras tantas vezes, a diminuição progressiva dos níveis de testosterona, impede a ereção de acontecer. Muitos trabalhos demonstram, inclusive, que a doença cardiovascular e pacientes diabéticos apresentam como primeiro sinal de alteração vascular a dificuldade de ereção. Daí a importância de um exame completo para que seja escolhida a melhor conduta: a reposição de testosterona, uma revascularização arterial ou a colocação de implantes penianos. Chamadas próteses penianas, seu objetivo é simular uma ereção, não alterando a sensibilidade, o orgasmo ou a ejaculação. São colocadas, geralmente, sob anestesia local assistida, não requerendo internação hospitalar e o paciente pode voltar às suas atividades cerca de uma semana após o procedimento e as relações sexuais são liberadas em cerca de 30 dias. A reposição da testosterona pode se dar através de injeção intramuscular, creme transdérmico e implantes intradérmicos. A revascularização arterial hoje se dá através da angioplastia com uso de stent, procedimento minimamente invasivo.

O que mudou na abordagem da disfunção erétil é a abordagem ao paciente como um todo onde tão importante quanto o seu bem estar orgânico é o seu bem estar psíquico. Ele deve sentir-se seguro para relatar ao médico suas ansiedades mais íntimas. E o médico, por sua vez, deve ter a percepção para escutá-lo pacientemente e identificar qual o melhor caminho para a resolução deste difícil problema masculino.

Dr. Jorge Gioscia Filho